quinta-feira, 11 de junho de 2009

adiafa filatelia




JOSÉ SARAMAGO

Quando se pensava concluído o Programa de Emissões Filatélicas de 1988, inesperadamente os CTT anunciaram a emissão, um bloco de homenagem a José Saramago, por ter sido galadoado com o Prémio Nobel de Literatura 1998.

Não há muito, em 1996, o especialista cinematográfico João Benard da Costa, no lançamento do seu livro, O CINEMA PORTUGUÊS NUNCA EXISTIU, lamentou-se por não ter podido fazer outra selecção dos nomes que iam figurar em na série, 100 ANOS DO CINEMA EM PORTUGAL, devido à tradição de os CTT não homenagearem figura vivas.

Quando o Professor Egas Moniz recebeu o Prémio Nobel da Medicina, só em 1966, depois da sua morte, integrado numa série denominada Cientistas Portugueses (Afinsa 387) e foi necessário o Centenário do seu nascimento para que, em 1974, se homenageasse com uma série de três selos (Afinsa 1239/1241).

Portanto, José Saramago constituiu uma excepção, o precedente que pode terminar com uma regra preconcebida.

Por exemplo, figuras como Carlos Lopes ou Rosa Mota que conseguiram estrondosas vitórias em corridas de maratonas em Olimpíadas, também foram vitórias de todo um País, de todo um povo. Uma razão que deveria justificar comemoração em selos postais.

Não pretendo, de modo algum comparar a repercussão de um Prémio Nobel, com a de um vencedor de uma maratona Olímpica, só assinalar que podem voltar a dar-se mais ocasiões que será necessário ter em conta, demais já tenho ouvido falar do selo como embaixador de um País.

Este o principal argumento!

Volto a José Saramago com obras, como o “Memorial do Convento”, ou “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, apesar de ter una agenda carregada, a que tem de se submeter um laureado com o Prémio Nobel, não deixou de aceitar o convite a estar presente na cerimónia do lançamento do Bloco Filatélico, em sua homenagem, em 15/12/1998, na sede dos CTT.

A cerimónia contou com presenças de escritores e outras personalidades da cultura. Assistiram Norberto Pilar, Presidente dos CTT, José Manuel Mendes, Presidente da Associação Portuguesa de Escritores, Engenheiro João Cravinho, Ministro do Equipamento, Planeamento e Instrução do Território e Leonor Coutinho, Secretária de Estado.

Vários oradores tiveram o uso da palavra para, como é natural, felicitar e elogiar o laureado. José Saramago, por sua vez, proferiu um pequeno discurso, em tom coloquial, como se tivesse a dar voz a BLIMUNDA, a personagem mais interessante do “Memorial do Convento”.

Na presença de numerosos meios de comunicação entre eles a TVE (Espanha), o laureado, convidado de honra, apôs o carimbo de Primeiro Dia de Emissão num bloco sobre envelope.


A homenagem dos CTT – Correios de Portugal, ao Prémio Nobel da Literatura 1998, terminou com um vinho do Porto.

José Saramago prestou-se a dar autógrafos em FDC’s que lhe apresentaram, por certo ficaram valorizados, porque terá sido ocasião única porque, compreensivelmente, não haverá muitas destas peças filatélicas com o seu autógrafo.

Os Correis de Portugal, pela boca do actual (à data) Presidente, afirmaram privilegiar a cultura e mais uma vez demonstraram, objectivamente, essa tendência.

Porém devem fazê-lo mais amplamente, um bloco em geral, é dirigido a um mercado restrito, o dos coleccionadores de selos, muito mais no caso, com um valor facial de 200$00, que pouca aplicação tem, tendo em conta as actuais taxas.

Devia ter sido criado um selo com taxa adequada, por exemplo, para os países da EU, para uma circulação mais geral.

Devo realçar que no seu discurso e não sem um certo humor, José Saramago também fez referência ao pormenor.

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Saiu na Crónica Filatélica da Afinsa de Madrid, número 173 – Fevereiro de 1999, em espanhol, porque me desfiz do original em português procedi a uma retroversão livre.

Daniel Costa

4 comentários:

Dona Poesia disse...

legal, tudo que for para homenagear os grandes mestres da literaura sempre é bem vindo. Saramago é "O Cara", deve ser simples e descomplicado.
Obrigada por me falar do artigo.

xistosa - (josé torres) disse...

Teve sorte José Saramago, talvez porque pensassem que já tinha morrido, rsss, rsss, rsss.
É que nosso país só se homenageiam postumamente ( e para ser mais retumbante) os mortos ...

Um abraço.

Pedro Luso de Carvalho disse...

Caro Daniel,

Excelente a Crônica Filatélica da Afinsa de Madrid, número 173, de fevereiro de 1999, traduzida por ti do espanhol, que aborda essa exceção feita pela CTT – Correios de Portugal - ao Nobel de Literatura José Saramago, ao fazer-lhe a homenagem com a emissão de selos, deferência essa que somente eram feitas a personalidades já falecidas.

Não tenho dúvida de que tal homenagem engrandeceu mais a CTT que ao próprio Saramago, que, desde o dia em que recebeu o Nobel de Literatura vem divulgando o nome de Portugal, em especial de sua literatura, como ninguém havia feito até os dias atuais.

E mais, caro Daniel: sabemos que pessoa da envergadura de Saramago merece tal honra em vida, já que é, como disse acima, o Embaixador da Cultura de seu país. Por isso, todos os prêmios que lhe forem concedidos em vida, ainda serão poucos, pelo muito que fez e que faz por Portugal e por sua cultura.

Um grande abraço
Pedro Luso

Vítor Vieira disse...

Viva Daniel,

Ainda consegui 2 Blocos Novos autografados pelo Saramago quando visitou Ourém.:)

Belos artigos,só um bom jornalista tem capacidade para tal , parabéns

Vitor Vieira